terça-feira, fevereiro 28, 2006

... e ganhos

Lembro-me, não como se fosse ontem, mas é uma imagem que ainda tenho bem presente na memória desse dia, acho eu. Nos dias anteriores já tínhamos ido a falar de como ela estava no autocarro, de como estavas preocupada, mas não me pareceu que pensasses sequer na possibilidade de a perderes tão rapidamente. Depois lembro-me de ter voltado do almoço e ter um e-mail que me deixou sem reacção. «Porque eventualmente isto se há-de saber, é só para dizer que a minha avó morreu», era qualquer coisa assim. Agora aqui sentada outra vez atrás de um monitor que me protege o olhar, para poucos verem o que se está a passar do lado de cá, lembro-me que quando fui para o almoço já te tinha perguntado o que se passava…
Lembro-me ainda de quando a minha avó materna morreu, que foste tu quem me trouxe a casa, quem ligou aos amigos a avisar e quem esteve sempre lá a dar apoio. Obrigada!
E agora é mesmo como tu dizes, estar na cozinha a sussurrar os ingredientes, como ela fazia, ou juntar uns alhos aos ovos estrelados como fazia a minha. Este é supostamente o ciclo natural da vida, por isso agora cabe-nos a nós dar um bocadinho daquilo que elas nos transmitiram para que se possa perpetuar no tempo.

Quando te liguei, estavas tu no aeroporto à espera de ser apalpada – palavras tuas! – estava há mais de meia-hora a pensar que tinha de te ligar. Tinha uma sensação estranha, tinha de te ligar, apesar de no dia anterior termos estado para aí uma meia-hora ao telefone. Não sabia o que se passava. Sabia que não era nada de mal, mas sentia que tinha mesmo de te ligar. A conversa saiu um bocado parva, sem grande nexo e sobretudo sem nada de novo. Mas depois quando cheguei vi este post e pensei que esta tinha sido a razão pela qual te tinha ligado e senti-me tão perto, mas tão perto de ti que nem imaginas. Em pensamento, imagina-te abraçada até quase te saltarem os olhos. Adoro-te!