Hoje preciso de vomitar
Preciso de deitar cá para fora toda esta merda sob a forma de chatices no trabalho. O grande problema é que, percebi há pouco tempo, me enganaram quando fui para este emprego. Pelo “preço” de uma coisa, conseguiram outra. Pelo “preço” das funções que me são atribuídas no contrato que assinei, conseguiram ficar com outra coisa que lhe fica mais barato. Foi uma verdadeira promoção do género “2 em 1”. Fui enganado à grande. Esperaram um mês para me dizer que, como me tinha “portado bem”, iria fazer outras coisas. Um mês e eu fui parvo, estúpido, burro e ignorante qb para acreditar na “promoção”. Mas a promoção era outra…
Dou-me bem com todos, pelo menos na minha ingenuidade assim o acredito. Mas só confio em duas pessoas, até porque partilhamos segredos bloguísticos. Se elas virem isto não me importo. Podem até não compreender, mas irão respeitar. Vou falar-vos delas.
Uma sempre senti como um apoio. Talvez pela proximidade logística nos primeiros tempos, ou por partilharmos a mesma génese no trabalho (somos os versáteis: bons a tudo, mas a quem nunca deixam ser excelente). O que interessa é que continua a ser um apoio. Gosto dela. Falo-vos da Eugénia.
A outra é alguém com quem não simpatizava de início. É para verem como são as coisas, e como não nos devemos agarrar às primeiras impressões e aos maus dias. Com sinceridade e abertura de parte a parte, consegue-se descobrir os verdadeiros eus que escondemos quando trabalhamos num sítio onde somos a peça do puzzle que, apesar de encaixar, não completa bem a figura. Aprendi a gostar dela, tal como ela aprendeu a partilhar comigo a sua maneira de ser. Esta é a Sofia.
O meu coração é muito pequenino, com pouco espaço para novos amigos. Elas estão, sem o saber, a conquistar o seu espaço. Espero que vocês as duas, Joana e Sara, não se importem que elas vos façam companhia cá dentro.
Tudo isto para dizer que a elas serão as únicas que terão o mesmo tratamento que até aqui tenho tido para com os outros. Vou ter que mudar. Vai ser complicado porque não sei estar de outra forma que não seja com um sorriso. Mas tem que ser. Tenho que me esforçar, pelo menos, para aparentar o que não sou. Vou ser diferente. É para meu bem.
Um pequeno desvio da conversa. Como não tive oportunidade e não lembrei de o dizer na altura, cá vai: Joana, a imagem da tua avó a sussurrar-te as receitas é, simplesmente, deliciosa.
Retomando.
Ao que parece (já não digo nada…), as tais novas coisitas que vou fazer são do meu agrado. É uma motivação. Mas como em tudo há um filha da puta de um equilíbrio, também outras coisas me desmotivam. Vou mudar fisicamente de lugar. Não é muito relevante, diriam. Afinal, é “só” o 3º lugar que vou ter lá dentro em 8 meses. O chato é a forma como tudo foi feito. Ao saber-se das mudanças que aí vinham, as “residentes” da casa, ou seja, as que lá estão há mais tempo, tentaram mudar situação, uma vez que não era do seu agrado o panorama que se adivinhava. Ok, sem espiga. O problema foi a forma de fazer/dizer as coisas. A ideia que logo surgiu foi «o Ricardo muda para ali, para nós ficarmos ao pé uma da outra». Sem me perguntar. Sem sequer considerar hipótese de me perguntar. Só que o Ricardo ouviu e, de trombas, disse «eu não mudo. Se me obrigarem claro que o faço, mas vou contrariado». O dia passou. Hoje chegou-se à conclusão que o Ricardo muda. Mudo e vou mudar. Apesar de não ser para onde elas queriam, as tipas ficam juntinhas para dar azo às suas cusquices. Analisando a frio, e fazendo um esforço tremendo para arrefecer a cabeça, é bom que elas fiquem juntas porque vão trabalhar em equipa. Só que podiam ter feito a coisa de outra forma. Saíram vencedoras. Eu não queria vencer. Só queria que me deixassem em paz.
Os provérbios populares têm sempre 120% de razão e «pau que nasce torto jamais se endireita». Fui enganado ao início e, agora, dou demasiada importância a uma merdita que não deveria dar. Mas se todos soubéssemos controlar as emoções era bem mais fácil viver com gente fdp. Vou mudar. Os decisores assim o decidiram, e que se foda a redundância. Assim o decidiram para não as chatear. Mas agora o chateado sou eu. Bem sei: demasiada importância. Que de lixe. É assim que me apetece sentir. Não posso ser flexível. Não me posso desiludir. Tenho que mudar, mas também tenho que ter cuidado para não ser um casmurro estúpido e dar-me mal. Pode ser que consiga. Pode ser que as coisas mudem para melhor. Pode ser?
Escrevo este texto no comboio num caderno que a Cátia me deu. Foi feito por ela. No meio deste texto encontrei uma folha que, julgo, nunca li. Apesar de não ter data, consegue perceber-se que foi escrito no meu último dia na Oni. Assina a, já transfigurada em Ferreira, Sara Simões. É uma despedida. Na sua última frase diz «vai com calma porque vai correr tudo bem». Espero que tenhas razão amiga. Espero que tenhas razão.
E pronto. É incrível como escrever me alivia. É mesmo vomitar para o papel o que me vai na alma. Fica assim como vêem: uma mancha confusa. Mas sinto-me bem melhor. Agora adeus que tenho que ir lavar os dentes e bochechar com um elixir qualquer…
3 Comments:
é isso mesmo Ricky... a questão não á a mudança... é a indiferença com que fazem as coisas sem um simples... importas-te? ou achas que te faz diferença?
DeeeeeSS! ás vezes sinto-me computorizada sabes... e quando chega a parte de se perguntarem se no meio desta merda toda existem sentimentos, simplesmente carregam no esc ou no delete para não se chatearem... e mais uma vez vamos para a um draft qualquer ou directo para a reciclagem.
infelizmente parece que já não sou a única... sinto por ti, mas tenho esperança que vais ter uma atitude de renovação bem melhor que a minha. Também ando a tentar vomitar num papel algumas coisas, mas nem por isso o estou a conseguir... Só te digo que isto é apenas o teu local de trabalho... a tua felicidade está fora destas portas... a tua inerte e efémera mulher, as tuas amigas Sara e Joana (nomes lindos!!) eu, (sempre disponível para ouvir as tuas caralhices) e a minha Sofie de quem tenho saudades (desculpa andar ausente gaja)
Mrs. Bean!!!
Ler este blog a três foi hoje a melhor coisa que me podia ter acontecido. Não pela melhor das razões mas com a certeza de que vai correr tudo bem.
e obrigada aos três.
bj
Sara e Joana, apresento-vos a Eugénia. Ela tem duas filhas. Adivinhem o nome das duas...
Pois meus caros Eugénia e Ricardo, penso que estão a dar demasiada importância à questão das mudanças de lugar - vejam o lado positivo da coisa : vão os dois ficar "livres" das cuscas - elas ficam juntinhas, mas era bem pior se uma delas ficasse ao pé de vocês...
Quanto às funções, acho que talvez devesses falar com o Luís...Sempre com esse teu sorriso na cara, mas explicando-lhe precisamente que gostavas de ver recompensado todo esse teu "empenho e bom comportamento".
Se amanhã chegar a horas decentes a ver se conseguimos ir os três ao café falar um pouquinho...
Beijocas amigos, melhores dias virão!
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